segunda-feira, 26 de novembro de 2012


                                                      ENCONTRO MARCADO

Durante o meu sono, você vem falar comigo
Procura entre os meus braços seu antigo abrigo
Encostando sua cabeça bem de encontro ao meu peito
Confesso que, à principio, eu até fico sem jeito
Mas logo até parece que você jamais um dia me deixou
Lembro a insegurança e a incerteza do começo
Recordo sorrindo nosso primeiro tropeço
A impressão na minha boca que do seu beijo ficou
Mas logo depois em seguida,  tudo se transformou
Revejo os nossos primeiros gestos de ternura
E sinto o subir da temperatura, nos momentos de desejo.
Entrelaço meus dedos suavemente em seus cabelos tão sedosos
Meus olhos buscam os seus, e os encontram lacrimosos
Dizendo-me já estar na hora da partida
E assim mais uma vez você invade a minha vida
Reabrindo a ferida encurada, que sangra novamente insidiosa 
Fala docemente de uma dor de saudade que nada no mundo conforta
Mas vai andando, passo a passo,  hesitante,  em direção a porta, acenando em despedida
Deixa-me ali parado, sem conseguir entender a razão deste encontro inesperado
Abro meus olhos lentamente, e você já não está mais ao meu lado
Não sei se era de fato um sonho, ou se eu só estava a sonhar acordado
Não será mais nesta vida, nós bem sabemos.
Mas a verdade é que já  temos, o nosso encontro marcado
Você também sabe disso, somente adiamos o compromisso
Mas o que está nas estrelas escrito, jamais poderá ser por nós  apagado
Durante o dia você me evita, mas basta a noite chegar, e eu cair no sono
Pra receber sua visita e acabar o abandono
Vem toda meiga sorrindo, de um jeito dissimulado
Com a mesma cara lambida, e ar de cachorro sem dono
Diz pra eu esquecer  a nossa briga, que sou o homem da sua vida, o seu maior namorado
E me chama de um jeito só seu, mas isto eu não ouso dizer, pois seria indelicado
Melhor  é  eu esquecer de tudo e deixar isto de lado
Não ia quebrar a rima, mas certamente iria ficar muito complicado.

L Ricardo Mendonça


Guardei esta por um longo tempo, cheguei a pensar que a havia perdido e hoje remexendo papéis antigos tornei a reencontrá-la, meu primeiro IMPULSO foi rasgá-la, mas pensando bem, é tão bonitinha e singela na sua despretensão que revi minha decisão e resolvi publicá-la.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ESTE CARA SOU EU. A QUEM INTERESSAR POSSA


Olá amigos.
E a quem interessar possa.

Pois é, as Redes Sociais vieram promover uma revolução na forma de interação humana, claro que nem todos estão na Rede, ou possuem perfil no Face Book, para ficar no principal, muitos nem sabem o que é um endereço digital, o popular Email.
Fiz este preâmbulo para dar uma respirada,  acalmar e ordenar o pensamento, entendemos a realidade através das palavras, estas tentam dar forma as coisas, e aí começa o problema, o ruído de comunicação, nem sempre o que tento exprimir através das palavras, que são um pálido reflexo das IDÉIAS que as geraram, são compreendidas conforme o pensamento original, uma hora por falta de habilidade de quem as exprime, e em outras pela total incompetência do ouvinte em entendê-las fidedignamente.
Um amigo um dia me deu um sábio conselho,  Gilberto Teixeira Silva, é o seu nome, conselho que como sempre fazemos não foi seguido e veio a dar no que deu,  me falou com muita propriedade que, as mensagens, emails, torpedos e similares só devem ser enviados em um relacionamento quando tudo está bem, quando não está legal, serão entendidas com uma entonação contaminada pelo processo de desgaste.
É verdade, vou usar um exemplo,  uma simples frase como: Vem aqui agora. Se for ouvida como eu tentei expressar, seria ouvida como um carinho, um pedido de preenchimento de ausência, mas pode soar como uma ordem aos ouvidos alheios, e ser de imediato repelida e respondida mal criadamente, e aí a briga começa...
Eu estou fazendo rodeios para entrar no que me incomoda, mas vamos lá, tenho perfil no Face Book  há algum tempo, meu perfil é totalmente aberto pra quem quiser se esmiuçar, pois basicamente é nisso que isto tudo consiste, uma enorme rede de bisbilhotagem, falo isso sem nenhuma crítica, pois eu mesmo me tornei um aficionado desta  ferramenta de convívio social.
Pena que o nome Windows já estava registrado, seria muito mais apropriado a meu ver, JANELAS, vemos a vida dos outros através destas janelas que nos são livremente abertas e vamos abrindo as nossas próprias, para que eles  também possam também dar uma espiadinha.
Por isso não faço a mínima restrição de acesso ao meu perfil, e qualquer um que pedir para ser adicionado, seja quem for, será imediatamente aceito, sei que isto contraria algumas regras de segurança e facilita a vida de gente mal intencionada, mas é uma escolha consciente, o que eu publico, é de domínio público e pronto.
Adoro ver a reação das pessoas a determinadas brincadeiras, se coloco algo totalmente inconsequente,  uma piada, ou uma gracinha qualquer, uma foto irreverente, é uma enxurrada de comentários, se publico alguma coisa que acho ser interessante, que vá acrescentar algo para as pessoas, às vezes fico frustrado com a reação ou mesmo a total ausência  dela, pois muitas vezes passa em branco.
A necessidade de sermos ouvidos ou notados e tão flagrante, que chega a ser comovente em certos casos.
A fiscalização à distância dos casais, tem gente que para evitar problema, torna-se um só no perfil, abre-se mão até da própria individualidade em certos casos, em outros raros, sabemos que o que levou a ser feito desta forma foi um amor verdadeiro, é,  isto existe, podem ter certeza.
Namoro para resistir ao Face e similares, tem de ter uma blindagem enorme, o meu primeiro artigo do meu blog me gerou o primeiro problema, uma amiga fez um comentário elogioso e rendeu problema, expliquei que era um espaço público e que se eu não quisesse receber comentários guardaria meus pensamentos para mim mesmo, a finalidade como percebi depois era justamente o contrário, era para ser sobretudo uma ferramenta de diálogo aberto, a exposição da minha visão de mundo e o contra ponto da visão de quem me dá a honra de perder seu tempo lendo meus pensamentos imperfeitos, meus IMPULSOS.
No começo, me iludi dizendo que era apenas uma forma de terapia, o que de fato é, mas  que não me importaria se ninguém olhasse o que havia escrito, besteira, todo mundo precisa do olhar do outro para ser definido, não dizendo com isto que a opinião alheia é o que vai me moldar, só gente muito sem perspectiva age desta forma, infelizmente são muitos que assim procedem,  uma enorme parte ainda vive para dar satisfação ao que o outro pensa, não é disto que falo. E acima de tudo não é de forma alguma o que estou fazendo neste texto, não sou de dar satisfação aos outros, mas resolvi matar a curiosidade de muitos, quanto a quem de fato sou e como de fato penso.
Vejo as mensagens subliminares que são enviadas, declarações nítidas de carência, auto-indulgência, insegurança e toda gama de fraquezas humanas tão comuns ao nosso cotidiano, inveja, ciúme, posse, orgulho, raiva, ódio, mas também afeto, amizade, carinho, amor, caridade, bondade enfim, toda vasta gama de sentimentos que nos move.
Morro de rir quando vejo um amigo que está morto pelo término de relação postar uma foto cercado de meninas em uma destas baladas da vida, com o sorriso mais falso de felicidade do mundo, pois ele sabe, da mesma forma que ele próprio faz, que ela vai entrar no seu perfil e morrer de raiva. Vou abrir aqui um parênteses, não olho nem por reza brava perfil de ex mulher, ex namorada, ex amiga, ex amante o escambau, apesar de ser tão humano ou mais ainda que a grande maior parte, ajo nestes casos como ajo em relação as drogas, sei que não vai me trazer nada de bom, assim apesar de ser extremamente tentador  passo bem, mas bem longe mesmo. O nome disto pra mim é curiosidade mórbida.
Não preciso de mais dores do que as que já me foram causadas, ou das quais eu tenha sido a própria causa, no meu entender, TODAS são minha responsabilidade,  não tenho viés masoquista, e apesar de ter enorme curiosidade pela vida, me abstenho a duras penas de eu próprio me causar ou procurar desgostos, chega os que já me atingem sem que eu possa evitá-los, portanto meninas fiquem tranquilas  desejo plena felicidade mas sem a mínima curiosidade, não é mais da minha conta.
Vejo as enormes discussões de ponto de vista, como formas saudáveis de interação, mas vejo também como as pessoas estão muito bem preparadas para falar e indisponíveis para ouvir, leio tudo que percebo ser positivo e sempre deixo um comentário que julgo ser pertinente, aos amigos, digo àqueles de fato amigos, deixo sempre um comentário impertinente, que o diga meu querido amigo Milton Nogueira, o popular Coelhão ou Gato do Mato,  mas nestes casos é o enorme amor que por eles sinto, travestido em molecagem, este sou eu.
O que me levou a tudo isto, foi constatar mais uma vez como as pessoas preocupam-se comigo, leiam com entonação de ironia, é esta a ideia, claro que tenho inúmeras pessoas, graças a Deus,  que se preocupam comigo de forma verdadeira, e o seu amparo muitas vezes foi o único sustentáculo na queda, o sustentáculo Divino é incontestável, mas estou aqui falando de relações humanas, das quais o Face Book hoje a meu ver é o exemplo mais significativo da sua superficialidade e fragilidade.
Vamos abolir as alianças, a maior prova de amor que alguém faz hoje, é colocar:  Está em relacionamento SÉRIO com fulana ou fulano no perfil.
Uma alteração de status no final das contas é o que me levou a escrever isto tudo, a falta do que fazer de determinadas pessoas que pensam que a vida cabe dentro de uma página de um site de relacionamento, se bem que para algumas delas é a única forma de relacionamento e de vida  que  possuem, lamentavelmente,  ( notem bem a carga de desprezo que esta afirmação comporta ), não falo das pessoas que passam pela prova da solidão, sou a elas solidário, pois como quase todos, já passei por episódios de estranhamento com a vida, e para meu total espanto, apesar de visivelmente ser uma pessoa de convívio social extremado, a cada dia me vejo mais submerso no meu universo íntimo.
Fui abordado por um amigo acompanhado de uma menina muito bonita, jovem, como este amigo, com a seguinte pérola. Fiquei sabendo que você mudou de STATUS no face, e está amiga ta muito afim de te conhecer. Se tem uma qualidade d alma que prezo é ter educação com todos que de mim se aproximem, mas devo confessar que nunca antes em todos os meus já bastantes anos de vida me deu tanta vontade de ter a falta de educação que vejo em certas pessoas e que as vezes até invejo, pela capacidade que tem de falar o que eu não consigo.
Conhecer pessoas novas é uma enorme satisfação para uma alma tão gregária quanto a minha, sem modéstia alguma sei ser uma pessoa muito agradável e inteligente em lidar com meus semelhantes e, sobretudo com meus amigos, mas a frase de abordagem teve um que de incredulidade, que conseguiu até me causar uma certa paralisia emocional.
Dentro do contexto, fiz o que a educação requer, mas parecia que eu havia tido um desdobramento, minha boca expressava-se por si mesmo, enquanto o meu cérebro já começava a pensar em tudo isto que estou a expelir, não tem outra palavra para ser usada.
Já publiquei notas ácidas, revestidas de raiva incomum, tento sempre postar coisas que levem algo de positivo para os outros ou que no mínimo pela sua irreverência calculada provoque risos e tumulto. Como exemplo sito uma publicação que adoro: Sou um homem que toda mulher disputa. Diz puta que pariu, que homem mais feio.  Algumas amigas, e também amigos, postaram comentários no mesmo tom de irreverência, mas tem gente que achou que eu estava fazendo autopromoção...  Cada um julga conforme as suas próprias medidas, é tudo o que tenho à dizer.
Já abri anteriormente aqui meu coração, sou simplesmente humano como todos, quando tenho algo de mais interno uso as páginas do meu blog, apesar de compartilhar normalmente a página no Face, publico minhas poesias, meus textos, deixo comentários, mas sempre sofri com uma curiosidade além do normal, sobre o que faço, mas principalmente sobre o que dizem que eu faço, normalmente entra em ouvido e sai pelo outro, normalmente, mas normalidade tem limite assim como a minha insipiente paciência, portanto, vou fazer uma coisa que já deveria ter feito a muito tempo.

                              PERFIL IMPULSO   ( Quem sabe isto não rende uma rede social )

Luiz Ricardo Mendonça Silva
03 04 1960  52 anos Nascido em Volta Redonda, Separado Judicialmente,  Cirurgião Dentista
Não, eu não penso que sou um jovem, sou jovial, mas percebo e sobre tudo sinto todos os anos já experienciados,  sou heterossexual e defendo a liberdade de escolha de cada um, do direito  da pessoa exercer a sua opção sem ser rotulada, quando disse que sou hétero, foi acima de tudo para significar que gosto de MULHER, não, não me importa a idade que tenham, desde que isto esteja dentro dos limites da adequação necessária, não me relaciono somente com mulheres mais jovens, tem sido contingência dos fatos, não uma escolha pré definida, procuro por valores, não por faixa etária, sim sinto orgulho que ainda possa ter algo que uma pessoa mais nova possa julgar ser interessante, meu ego funciona normalmente, sem que estes relacionamentos sejam vistos como troféus a serem expostos, sim, todas sabem nos mínimos detalhes quem fui, quem de fato sou e no que quero me transformar, mas acima de tudo são bem informadas quanto ao que pensam que eu sou, não, não tenho dinheiro, trabalho e luto com muita dificuldade para arcar com as minhas obrigações, se souberem de um emprego que tenha um salário digno, me avisem,pois estou precisando, não não sou convencido, não confundam a personagem com o ser real, e mesmo a personagem e freqüentemente desmentida pelo próprio autor,  consigo rir muito de mim mesmo, não sou e nem nunca fui meu tipo de homem, mas agradeço honestamente quando de mim discordam, sim até tenho me achado ultimamente uma pessoa charmosa, mas isto é bem recente, não,  não é fruto dos últimos relacionamentos, questão de auto percepção, também aceito as opiniões em contrário, mas peço que não a façam na minha frente para não abalar esta mais nova percepção de mim mesmo rsrsrrs, não, não sou vaidoso na acepção da palavra, tomo banho, tento me trajar de forma adequada aos lugares que hoje frequento, ah e passo perfume,  sou uma assombração que sabe para quem parece, com isto querendo dizer que não me atiro em cima de ninguém, não tomo liberdade com quem não me concede, sim sou galanteador no melhor sentido da palavra, adoro elogiar, nunca falto com o respeito devido, não, não sou nenhum conquistador barato, pois intimamente sou uma pessoa tímida, podem rir a vontade, sou uma pessoa tímida, não tiro ninguém para dançar que eu já não conheça ou que não tenha sido apresentado, mas danço com qualquer uma que me solicitar, jovem, madura, de vez, negra, branca, cor de rosa, verde, sim gosto muito de cantar e acho que até canto bem sim, mas não sou artista, sou cantador, faço minhas poesias tortas, algumas que gosto muito, outras nem tanto, ah, se forem tristes não quer dizer que eu assim esteja, o contrário também é válido, sou espírita, apesar de ser um espírito de porco, faço palestras espíritas em diversos centros de nossa cidade sem com isto ter os méritos necessários que deveria ter para exercer tal função, o que me move é a boa vontade e a necessidade de produzir positividade, sem em nenhum momento deixar bem claro à todos das minhas inúmeras fragilidades e deficiências morais, estou em aprendizado, portanto, não tomem minha religião por quem sou, sim, estou sem um RELACIONAMENTO SÉRIO no face e na minha vida, mas não estou disponível, sim sou plenamente capaz de encontrar companhia adequada, muito mais capaz do que a maior parte das pessoas que conheço e do que realmente seria necessário, diga-se de passagem, não, não estou sendo convencido, estou apenas esclarecendo fatos, sim me julgo uma pessoa muitíssimo interessante abaixo da superfície onde tentam me situar, sou muito mais intenso, sim sou uma ótima companhia, um ótimo amigo e ouvinte de quem  necessita de quem escute, sim, sim, sim e dezenas de sim eu falo demais e adoro que as pessoas me escutem, adoro sobretudo fazê-las rir, sim tenho uma alma palhaça, mas só a alma, não, não sou apaixonado pela Bárbara ( Desculpe-me meu amor, mas a questão ficou recorrente ) ela é uma amiga a quem muito respeito, apenas isto, não, não estou infeliz, ninguém é responsável pela minha felicidade, aprendi isto a custo de muito choro, mas vejo que valeu a pena o aprendizado, sim, tenho enorme carinho e respeito por quem cruzou a minha vida, sim, tenho inúmeras lembranças e nenhuma saudade, o melhor está à frente, estou no aguardo do que está por vir, sim eu sou humano, sangro e sinto dor, principalmente quando me julgam sem terem a mínima noção de quem sou, sim são todos bem vindos até que não se façam, se é que me entendem, se não entenderem eu faço um desenho. Como diz o meu amigo Roberto Carlos... Este cara sou eu.

Bem, mais explícito do que isto acho impossível, mas se deixei algum tópico de fora tenham a nobreza de me perguntar antes de proferirem suas verdades, tentem me conhecer, tenho a imodesta certeza que vão gostar de mim, tudo bem, alguns não vão não, mas faz parte.
Acima de tudo meus amigos, tentem publicar coisas que acrescentem, que sejam positivas, que minorem as nossas dores e as dores alheias que em tudo são semelhantes as nossas.
Peço sinceras desculpas, mas ou fazia isto ou na próxima apresentação eu ia explodir, ah, para todos os efeitos estou em um relacionamento seriíssimo comigo mesmo, quando terminar eu aviso, podem deixar vocês vão ser os primeiros a saber que eu não me aguentei.
Para finalizar, tomem conta das suas vidas ( leiam isto com entonação branda ), a minha é interessantíssima, mas é a minha, deixem-me vivê-la em paz, para atrapalhar, fiquem certos, eu mesmo me basto, tenho feito um ótimo trabalho, fiquem tranquilos, ninguém faria melhor.

Ricardo M

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

CICATRIZES FLORES E LIBERDADE


Olá amigos

Pela primeira vez desde que comecei a aventura de publicar estes pensamentos imperfeitos, não sei de fato por onde começar,  tenho tanta coisa me rodeando os labirintos cerebrais, que ou sai algo surpreendente até para mim mesmo, ou nada que  faça  o menor sentido, portanto vamos lá ver no que isto vai dar.
Há algumas semanas atrás estive em Penedo, colônia finlandesa no sul fluminense, lugar bucólico de uma magia única, um daqueles lugares que nos faz sentir fora do mundo, por isso gosto tanto de lá, sempre me proporciona uma fuga do cotidiano.
Estava sentado em uma mesa com uma...  Amiga,  deve ser esta a nominação para ser usada agora, quando de nossa mesa aproximou-se uma senhora vestida de uma forma, diria pitoresca, dizendo-se  poetisa, que através da venda de seus textos ajudava pessoas carentes.
Vendia cada um de seus textos pela quantia de um real, isto mesmo um real, apesar de internamente já estar caindo na armadilha do pré julgamento  é difícil não ser solidário por um real, portanto comprei dois textos da referida poetisa, a quem quando perguntei o seu nome referiu-se a si própria, como  ¨A dona que ajudava os pobres¨, pois como me disse,  o seu nome não era importante, devo confessar que a afirmação me gerou um enorme desconforto e me pré dispôs contra ela,  pois como diz Emmanuel:  A humildade é uma virtude tão volátil, que quando pensamos tê-la, já a perdemos.
Deixando de lado meus julgamentos, oriundos da minha própria inferioridade espiritual, ela seguiu seu caminho e eu então me dispus a conceder a dádiva do meu tempo e da minha atenção para a leitura dos textos que havia dela comprado, contaminado pela empáfia que lamentavelmente algumas vezes ainda me atinge, julgando que iria encontrar baboseiras sem sentido.
Deus sempre escreve certo por linhas mais certas ainda, não eram poesias, na acepção do termo, mas eram textos curtos de uma beleza poética, de uma lógica irrefutável e de uma inteligência, que me atingiram fundo a sensibilidade, me trazendo lágrimas aos olhos, uma grande parte delas por extrema vergonha em relação aos julgamentos pré concebidos que tanto luto por não fazer, e que por avaliar apenas o exterior, havia acabado de mais uma vez a eles sucumbir, diga-se de passagem, que ela havia nos falado ser engenheira nuclear, e que havia abandonado tudo para ajudar aos pobres. Eu levei aquilo em conta da soberba.
Vou tentar mudar o assunto para mais à frente nele retornar juntando as pontas, tomara que possa fazer sentido.
Liberdade, eu quero te conhecer. Uma frase curta, afirmativa, escrita como epitáfio para o fim de um relacionamento. Esta pequena frase me deu muito no que pensar.
O que é ser livre?  Muita gente com melhores qualificações intelectuais do que eu, já se debruçou sobre esta questão.
O conceito de liberdade, assim como outros, tais como o de felicidade, é enormemente subjetivo. O que é ser livre para você? É não ter de prestar conta de seus atos? Não ter de dar satisfação a ninguém? Como se isto fosse possível. Não depender de ninguém? Outra impossibilidade. Poder entrar e sair a hora que bem te aprouver? Torno a questionar. O que é ser livre?
É claro que entendo a afirmação pelo o que ela tem de mais simples, poder experimentar coisas que nos foram vedadas é certamente uma forma de liberdade, principalmente para quem foi tolhido, mas estes conceitos são ilusórios.
Quem pensa que liberdade é fazer o que quer, como se isto fosse viável, confunde liberdade com egocentrismo, já me senti diversas vezes prisioneiro de mim mesmo e dos meus próprios sentimentos, como já me senti plenamente liberto ao lado de outra pessoa.
Liberdade, assim como esta tão propalada felicidade, são estados da alma, conceitos concretos que vivenciamos de forma abstrata, estão diretamente relacionados à escala de valores individuais, tem o tamanho do universo íntimo que cada um trás em si mesmo.
O que eu não conheço, para mim não existe, portanto o mundo tem para cada um a dimensão do seu conhecimento. Neste contexto sempre falei que temos de estar com nossas mentes abertas para viver o novo, tento viver a minha vida com isenção de intenções, como confessei linhas acima, às vezes falho vergonhosamente no intento, mas sei que isto também faz parte do meu processo de crescimento, enquanto espírito em processo contínuo de aprendizagem.
Assim como aprendemos a andar em passos vacilantes, aquele bamboleio que tanto nos fascina nas crianças e que mata os pais de preocupação pela contingência dos tombos, vamos aprendendo a caminhar através dos tropeços da jornada, caímos esfolando o corpo físico, erramos dilacerando os tecidos finos da alma.
Pronto aqui faço a junção das idéias que tanto tem me perturbado durante estes dias, um dos textos da minha amiga dos pobres, leiam isto sem ironia, é assim que ela quer ser chamada, e tem todo o direito de ser, por mais inadequado que eu possa querer julgar a denominação, ela ganhou o meu respeito pela profundidade dos conceitos, que com enorme simplicidade expôs.
Retornando, um de seus textos falava sobre feridas, um tema muito querido aos meus textos, sempre falo sobre cicatrizes, mas ainda não havia entendido a sua utilidade plenamente.
Sinceramente não pensei premeditadamente em fazer o que vou fazer agora, mas como um tributo de reconhecimento, e mais do que tudo, como um pedido sincero de desculpas pela avaliação preconceituosa que dela fiz,  vou aqui reproduzir literalmente um de seus textos, do outro farei citações, sempre com os devidos créditos. Prestem atenção.

                                                                 FERIDAS

¨ O amor e a sabedoria universal fazem par constante. Quando o primeiro é surpreendido com um fracasso, o outro estende seus braços para sustentar o desconhecido, a queda.
Por mais que possamos sentir o punhal cravado em nosso peito, também devemos saber que o sangue que escorre pela nossa alma, será o biombo do recomeço. Observemos uma ferida.
A casquinha externa é feia, reproduz o horror da lembrança da dor, no entanto, abaixo daquela casca, às vezes horrenda, a natureza tece magicamente o milagre da reconstrução.
São fios valiosos entregues a mãos preciosas. Talvez o horror daquela casca durante este trabalho, seja um sinal de aviso para nos afastarmos cada vez mais, deste tipo de armadilha.
 É como se houvesse um letreiro avisando do perigo. Um dia a obra estará acabada, e a casca feia cairá por si só, mostrando a você a nova obra pronta.
Se por acaso restar uma cicatriz, não se aflija. Deus decidiu colocar-lhe sempre em estado de vigília. Para que isto não lhe aconteça nunca mais. ¨

                                                      A amiga dos pobres

Sinceramente não sei se fico mais emocionado ou envergonhado, mas espero ter me redimido da minha falta de caridade para com ela, tomara que isto tenha se tornado uma cicatriz, eu agora entendo a  finalidade delas.
Olhamos nossas cicatrizes normalmente com horror, tenho algumas até interessantes, que já deram motivo para muita história e conseqüentemente para muita mentira também,  no meu  queixo a lembrança de um tombo de moto, na clavícula outra resultante de uma queda por um golpe de judô, na cabeça outra oriunda de uma pedrada, e diversas minúsculas que o tempo apagou da memória a origem, portanto insignificantes.
As cicatrizes corpóreas já nos acarretam pesadelos,  em virtude da lembrança dos traumas nos quais elas se originaram, agora o que dizer das que permanecem ocultas a visão alheia,  mas que são claras aos nossos olhos espirituais e insistem com enorme freqüência em se fazerem visíveis, vou mais além, insistem com enorme freqüência em reabrirem-se, voltando a causar dores indescritíveis pela revisitação dos fatos dos quais elas são as sequelas.
Sei que depois disto, o que eu normalmente repudiava e escondia de mim mesmo, tornou-se mais fácil de entender e de aceitar, não chego ao ponto de me orgulhar delas, mas também não as repudio mais, agora são para mim os avisos de Deus, nos quais passarei a dar mais atenção.
Mas nem só de cicatrizes vive este texto, também existem as flores.
Existem flores que  não  são para serem colhidas, mas diante da sua suavidade e de sua beleza o instinto de posse, ou melhor dizendo, nosso ego prevalece. Eu quero, eu consigo.
Segundo a minha amiga: ¨Muitas vezes é melhor vê-la sempre sorrindo lá no jardim, do que arrancá-la pelo simples fato de querê-la só para si.  ( Que beleza de conceito )
Ainda segundo suas sábias palavras:  ¨ O encontro do nosso eu, com a nossa essência mais pura, é como um fenômeno da natureza que se dá poucas vezes dentro da nossa existência, é preciso que nossa sintonia seja marcada pelo UNÍSSONO ( grifo meu ) dos nossos corações, porque senão, não há razão para ir ao jardim colher a rosa. ¨
É, acho que agora o meu intento foi logrado, no meio deste samba do sambista doido as coisas, ao menos para mim parecem ter se encaixado.
Algumas das minhas mais recentes e doloridas cicatrizes foram causadas por colher flores que eu deveria apenas ter deixado vicejando no jardim, contudo como realmente saber se aquela não é a flor a ser colhida? Como diz a propaganda do Canal Futura, não são as respostas que movem o mundo, e sim as perguntas.
Aprender a contemplar à distância as flores nunca foi um traço de caráter que eu pudesse orgulhar de possuir, me consolo dizendo que são poucos que possuem a sabedoria da contemplação em detrimento da colheita gananciosa, orientada apenas pelo falso sentido da posse.
Acaba que no final a flor se despetala e sobra,  apenas a haste com os espinhos para serem mostrados, depois ainda reclamamos das mãos feridas.
Vá conhecer a sua liberdade, vá sim, sem medo ou angústias, antes que a flor feneça, mas fica um aviso, a ilusão da liberdade é um dos tóxicos mais poderosos que eu próprio conheço, causador de traumas e de cicatrizes de difícil reparação, pela falta de compreensão do que seja LIBERDADE.
Pela ausência deste entendimento, nos tornamos intolerantes para com a liberdade dos outros, nos isolamos através da construção de muros de proteção que longe de cumprir esta função, acabam por nos segregar entrando em confronto direto com aquele outro conceito, o da tal felicidade, mas aí  eu vou precisar de procurar auxilio com a minha amiga dos pobres, com quem hoje compartilho a autoria intelectual do texto, se é que ele tem alguma intelectualidade, mas aí já é falsa modéstia, o que também é outro nome para o orgulho, danado de aprendizado difícil!
Fiquem com Deus, que o Divino Semeador, possa orientar nossa colheita e sempre nos lembrar que o limite da nossa liberdade,  sempre termina onde começa a do próximo, mas vai reconhecer estes limites.
Um grande abraço à todos

Ricardo M


Tenho uma poesia antiga que relutei antes em publicar, pois as vezes o contexto é impróprio, ou pode ser mal compreendido, mas francamente, entendam da forma que quiserem, pois é assim que sempre o fazem. Ela foi inspirada em uma música do Willie Nelson, um cantor country americano, que tem por título: To all the girls I ve loved before. Á Todas garotas que amei.


                                                              ESTRADA

Aprendi a não chorar por alguém que não me quer.
Deixo ao destino a escolha do caminho que vier.
Vou levando a minha vida sem qualquer preocupação.
Descobri que a viagem é bela, mas de curta duração.
Vou seguindo a caminhada sem saber onde vai dar.
Mas isto também não me importa, vou por estas vias tortas, sem ter hora pra chegar.
Conto os passos ao caminhar, sem ter rumo ou direção.
Chego a perder a noção do quanto que eu já andei,
Por tantas coisas passei, que chego até duvidar.
Senti o amargor e o desgosto do pranto a molhar meu rosto.
De viver em abandono, feito cachorro sem dono.
Sem eira nem beira ou lugar, que eu pudesse descansar.
O meu corpo dolorido e a alma em exaustão.
Mas foi curta a solidão, pois sempre tive coração que quisesse me abrigar.
Durante esta caminhada, foram muitos os amores.
Se tive alguns dissabores, a ninguém posso culpar.
Seguiram outros rumos na estrada, de alguns não ficou quase nada.
De outros... Me recuso a lembrar.
Mas de todos restou um traço, que nem o tempo e o espaço, vai conseguir apagar.
Que possam ser muito felizes, somos todos aprendizes.
Com muita estrada à rodar.
A todas o meu afeto, cada um com seu trajeto, o destino é um só lugar.
E como é uma só a estrada, às vezes em meio a jornada, a gente volta a se esbarrar.
Fiquem todas vocês com Deus, deixo aqui o meu adeus ou quem sabe um até lá.

Ricardo M


Que Deus te oriente em sua busca. Felicidades. .