domingo, 22 de abril de 2012

GENTE POESIA


GENTE

Gosto de gente
Alegre, Contente
Triste, Silente
Crente, Descrente
Discreta, Saliente
Esperta, Dolente

Gosto de gente
Gente que fala, gente que cala
Que ajuda ou atrapalha
Que nada faz, que trabalha
Que acerta e que falha
Gente corajosa ou fogo de palha

Gosto de gente
Negra, branca, mestiça
Sem preconceitos, mas com senso de justiça
Espírita, católico, evangélico, macumbeiro
De fina estampa, do chão do terreiro
De São Paulo, Minas, Rio de Janeiro
Gente do mundo inteiro

Gosto de gente
De gente bacana, sacana
Que bebe um whisky ou aguardente de cana
Itaipava, Skol, uma Bhrama
Travada ou boa de cama



Gosto de gente
Que não seja perfeita
Com todos defeitos
Gente em construção
Gente em ebulição
Gente que sofre e que ama
Até gente que me engana
Eu não deixo de gostar
Que finge não me conhecer
Finge até não me ver
Quando cruza o olhar

Gosto de gente
Gosto mesmo! Sem medida
Muita gente até duvida
Da força do meu gostar
Gosto do fundo do peito
Nasci assim, é o meu jeito
Sigo meu ponto de vista, e dele faço questão
Gosto de um modo esquisito
Gosto do feio e do bonito
De gente centrada e sem noção
Gosto, gosto sim, sem distinção
Pois em gente eu acredito
Na gente reside a esperança
Do gostar, não abro mão
Gosto de gente, pois gosto da vida
E a vida, é feita de gente
E de gente é feito o mundo
Gosto, gosto sim, gosto mesmo, gosto de um jeito profundo
Um gostar vagabundo
Como é meu coração
Afinal também sou gente. Não sou não?
Se bem que bateu uma dúvida, de tanto ouvir minha mãe quando me dá um esfregão.
Ah, menino! Você não é gente não
Bem, deixa a duvida prá lá , já é uma outra questão

RICARDO M