segunda-feira, 11 de maio de 2015

ÚLTIMO DIA DE VIDA

Olá amigos.
Depois de um longo tempo, volto a ter oportunidade, vontade, e sobre tudo, motivo de estar novamente aqui, colocando meus pensamentos imperfeitos em praça pública.
Esta semana, antes de uma palestra  no Centro Espírita Luzeiros do Mestre, da qual eu estava encarregado, uma amiga fez uma página inicial preparatória para esta palestra, onde o título do texto era a seguinte pergunta: O que você faria se soubesse que amanhã seria o seu último dia de vida?
As implicações de uma questão aparentemente retórica, simples, mas de uma complexidade e abrangência enormes, ficaram reverberando na minha mente.
Vivemos na ilusão de nossa imortalidade material, apesar de sabermos da sua finitude, contraditório, mas é assim que vamos levando.
Graças ao Criador, não trazemos marcados no corpo, sua data de validade ou um código de barras, temos consciência apenas do dia da fabricação, para continuar na metáfora.
Privilegiamos a matéria em detrimento do espírito, este sim, imortal, damos a maior parte da nossa atenção ao corpo material que nos serve de vestimenta e veículo de expressão, e mesmo deste, somos  na maioria, depositários infiéis.
Mas retornemos a questão. O que você faria se tivesse apenas mais um dia de vida? Melhor ainda, ou pior ainda, se soubesse que este seria o seu último dia de vida?
Com quem você gostaria de passar estes últimos momentos? O que você gostaria de dizer, que o orgulho, a vaidade ou outras questões menores te impediram de falar? A quem pediríamos perdão pelos males que causamos? Por quem, precisamos nos ver perdoados? Quais as palavras que calamos, por conveniência própria, covardia, maldade ou por nossa vontade fraca de fazer o que é necessário?  Quais sentimentos sufocados viriam à tona neste momento? O que perceberíamos de inutilidade em certas posturas que tomamos? O quanto de inflexibilidade, ainda manteríamos diante da exiguidade deste prazo? Quais preconceitos ainda manteríamos,  perante o abismo que se descortinaria a nossa frente? Qual o montante de orgulho, de vaidade, ainda restaria nos nossos sentimentos? Quais arrependimentos seriam confessados nesta hora extrema? Que certezas ainda restariam sobre os seus alicerces, inabaláveis? Qual seria a última imagem na sua tela mental? Que rosto você levaria impresso no coração, como companheiro de viagem? Como você gastaria estes últimos preciosos segundos? Que nome seria sussurrado neste derradeiro suspiro?  Quantas lágrimas seriam vertidas, e quantos sorrisos seriam compartilhados? O que você gostaria de deixar como legado desta viagem que agora se encerra? Como você gostaria de ser lembrado? E qual seria a verdadeira contabilidade da sua existência?
Confrontados com a nossa finitude material, são tantas as questões, são tantas as dúvidas, são tão poucas as certezas, que evitamos nos questionar, ou confrontar esta realidade..
O fato é que esta realidade nos confronta a cada amanhecer, não temos o segundo seguinte, mas agimos como se o tempo material não tivesse fim, como se a viagem não tivesse destino de chegada.
Reconcilia enquanto ainda está no caminho, retirei a palavra,  inimigo, pois acho que esta, não seria a afirmação correta, arrogância minha, mas acho que o Mestre não usaria nada maior do que desafeto. Portanto reconcilia com as suas desafeições enquanto ainda temos a oportunidade de fazê-lo.
Uma questão tão simples na aparência  me fez refletir sobre os caminhos percorridos, sobre as atitudes tomadas, sobre tudo o que fiz e deixei por fazer, e o que ainda posso fazer.
É tarefa enorme reparar erros, pois são incontáveis, mas sei que são todos parte do processo evolutivo, contínuo, infindável, que me levarão ao conhecimento de mim mesmo, e da tão decantada VERDADE.
CONHECEREIS A VERDADE, E ESTA VOS LIBERTARÁ.
Sei que o momento desta libertação ainda está oculto nas entranhas do tempo, esta entidade mística, infinda para o espírito, mas de prazo certo para cada experiência na matéria. Deixo à vocês o questionamento, que queima meus circuitos neuronais. Tomara que eu tenha a clareza de pensamento e de sentimentos para dar a estas questões, as melhores respostas possíveis.
 Enquanto estou no caminho.
Fiquem todos sob a proteção do Criador, que não coloca perguntas sem respostas, nem desafio maior do que a capacidade que cada um possui de os ultrapassar.
Um grande abraço.

Ricardo M.




quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

DOENÇA SOCIAL

Olá amigos.
Após um longo tempo afastado destas páginas, hoje me senti compelido a elas retornar, infelizmente, impelido pela tristeza, por uma total consternação e um indescritível sentimento de espanto, pela constatação do grau de adoecimento do nosso organismo social.
As páginas de nossos principais jornais, e todo restante da nossa mídia escrita, falada e televisada, assim como, e principalmente das Redes Sociais, com destaque para o Facebook, nos mostraram em cores vivas, cores rubras de sangue,  em plena luz do dia e em local público, a execução sumária de um suposto assaltante, como ele não foi julgado e condenado, a palavra, suposto, é a mais adequada e justa.
O vídeo expõe a execução fria e inumana de outro ser humano, não há como desqualificar ninguém desta condição, muito menos quem perpetrou a execução, apesar de eu mesmo ter usado o adjetivo, inumano para descrevê-la.
Nasci em um lar de aprendizagem cristã, e tive minha educação religiosa baseada nos princípios da Doutrina Espírita, tenho as deficiências normais que vejo em quase todos os que me cercam, assim como as qualificações que observo na maior parte das pessoas que me é dado conviver, em suma quero dizer que sou um ser humano normal, não tenho pretensões a santidade, ou dar testemunho do que não penso ou sinto de fato.
Sei dos enormes desafios que enfrentamos na atualidade, a alguém mais desatento, tem-se a impressão, que tudo está desabando, minhas convicções não me permitem enxergar os acontecimentos por este prisma.
Não quero aqui tecer discussões teológicas ou filosóficas, careço de subsídios para sustentá-las, ou mesmo de vontade de assim proceder.
Mas quando vejo tantos irmãos de caminhada defendendo e justificar um ato criminoso, que deveria nos envergonhar a todos, enquanto membros desta sociedade,  escuto  aplausos e aprovação a este ato de barbárie e desamor.
Em pleno Século XXI,  a defesa de atos que já fizeram parte de nossa trajetória anterior, que a história nos transmitiu, os circos romanos, a sociedade de Esparta, as hordas mongóis, a Inquisição e tantos outros eventos já encobertos pela poeira do tempo. 
Muito recentemente, o advento do nazi-fascismo, que ainda hoje encontra acolhida em grupos de ódio racial  e tantos outros grupos que pregam o ódio e a descriminação como modo de vida.
Este não é um artigo religioso em sua motivação, mas talvez o seja em sua essência, nosso organismo social, nossa sociedade, encontra-se em privação de variadas substâncias, tais como: Respeito ao próximo, honestidade, preceitos de ética e moral, fraternidade, caridade e o principal elemento ausente desta circulação, o amor.
Como qualquer um, me espanto com a escalada da violência e dela já fui vítima também, leio diversas publicações e constato o nível de descontrole das autoridades não só com a segurança, mas com tudo que lhes é dado ordenar, educação, saúde etc etc.
É muito fácil, a quem quer que seja, colocar sob a responsabilidade de alguns o que é responsabilidade de todos, se alguém tem qualquer dúvida, basta se observar o momento atual.
Viramos nossos rostos àqueles que nos pedem por auxílio, pretextando não termos nada com os problemas deles, as crianças que estão na rua, não foram por nós geradas, portanto não são da nossa conta, os drogados são fracos de alma, que sucumbem aos seus vícios por falta de vergonha na cara, portanto eles que se virem, a velhice desassistida que tem por teto as marquises das cidades, são de única responsabilidade dos próprios filhos que os abandonaram, ou no máximo dos órgãos que lhes compete dar acolhida e por aí vai.
Só que um dia, estes clamores chegam à nossa porta, e a arrombam de forma violenta, pois este é o único universo que conhecem, o do desamor.
Longe estou de fazer apologia a defesa de quem pratica um delito apenas pelo meio em que está inserido, pois se esta fosse a razão, nossas comunidades estariam completamente tomadas pela delinqüência, e em sã consciência sabemos que isto não ocorre, são as primeiras vítimas deste sistema torpe que escolhemos para viver.
Sim, escolha individual de cada um de nós que compõe este tecido social adoecido, escolhemos livremente, temos variadas opções e optamos pelas que nos são mais confortáveis, portanto, só podemos cobrar de nós mesmos sairmos desta postura hipócrita, da crítica indiscriminada, do julgamento inclemente da conduta alheia, e agir de acordo com o nosso discurso.
Queremos melhoria? Procuremos a melhora íntima. Queremos um Governo menos corrupto? Que sejamos então mais verdadeiros. A escolha de nossos dirigentes se faz por processo eletivo, secreto, portanto, nossas escolhas refletem nossos interesses ou a falta deles. Temos os governantes que merecemos, se são deploráveis, é porque a sociedade que os elegeu assim o é, deplorável.
Sei que muitos que clamam por esta volta a barbárie, tem por justificativa a perda de um ente querido por atos de assombrosa violência, a eles sou solidário, não desconheço esta realidade, mas não podemos endossar atos criminosos, que nos igualam ao que execramos.
Desculpem-me a honestidade e a franqueza de discurso, mas estão doentes da alma, como estes infelizes irmãos de aprendizado que perpetram tais atos de total insanidade da alma.
Há muito, nos foi legado ensinamentos que se postos em prática, teríamos hoje, uma sociedade completamente diferente da nossa atual. Ódio só gera mais ódio, penalidades fora do âmbito das que são preconizadas pelo nosso estado de direito, nos levam para o mesmo lado da cerca, para o mesmo patamar, onde estão os que agora condenamos.
A criminalidade alimenta-se da ignorância, da falta de fraternidade que escasseia as oportunidades de outros caminhos. Todos nós temos escolha, e completa responsabilidade pelo efeito que elas causam.
É preciso abandonar o discurso vazio e partir para ação, não esta, a de tomar as rédeas da Justiça em nossas mãos, mas sim, a ação produtiva, equilibrada e sobre tudo, fraterna.
Enquanto não entendermos de fato e de direito esta realidade,  nos veremos na contingência do medo, da ignorância, da imaturidade espiritual, que são os substratos dos quais se alimenta a criminalidade.
Entristece-me ver pessoas endossando a atitude de outro criminoso, pois quem executou, pasmem, também tem passagens pela polícia, e nem se não as tivesse.
Li um artigo no Jornal Globo, do Deputado Marcelo Freixo, e confesso que não entendi o seu ponto de vista. Entendo claramente que nosso sistema prisional, longe de recuperar, exacerba as má qualificações de quem nele da entrada,  que as penas por muitas vezes são aplicadas sem um critério mais sensato e equilibrado, mas não se pode ser conivente com o delito, seja ele qual for, do desvio de verbas públicas a receptação de pneus roubados do caso que ele ilustra.
Precisamos sim, de uma discussão intensa sob os rumos da nossa sociedade, o que queremos para nossas famílias, mas nunca soube que ódio conseguisse dar à luz, nada que não fosse mais ódio.
Desculpem-me os que exerceram seu sagrado direito ao livre discurso em defender tais atos, mas a meu ver, estão tão doentes quanto os protagonistas deste drama, que se tornou banal, pela assiduidade com que acontece, a diferença é que este foi postado nas redes sociais, e o impacto se fez mais sentido pela vasta gama de sentimentos que suscitou.
Seria bom recordarmos uma máxima, de conhecimento geral, um ensinamento singelo, como tudo que Ele nos transmitiu. Com a mesma medida que julgas será julgado. Fazer ao teu próximo, o que gostaria que ele fizesse a você. Mesmo que este próximo seja aquele que carrega em seu íntimo imperfeições mais acentuadas do que as nossas próprias, pois afinal quem nunca errou que seja o primeiro a atirar esta pedra. Confesso-lhes que às vezes as minhas pedras estão bem à mão, mas nunca até hoje, delas partiram em direção a ninguém.
Tomar a lei nas próprias mãos, é clamar pela desordem social, pelo aparecimento de grupos de extermínio e correlatos. Será que já não temos disso tudo em demasia?
Por mais vulneráveis que sejam as nossas instituições, elas são o que nos separam da barbárie institucionalizada, este capítulo já deveria estar em nosso passado.
Que este Pai de extrema Justiça e Bondade, possa nos inspirar no caminho da fraternidade.
Para fraseando John Lennon: Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único, pois no final, o bem sempre se sobrepujará ao mal. Esta é a Lei.
Um grande abraço
Ricardo M


sábado, 5 de outubro de 2013

PLENITUDE


Olá Amigos

Graças a esta invenção do capeta, chamada Facebook, releguei  por um longo tempo meu Blog, mas à ele estamos hoje de volta. Preciso urgentemente  fazer uma reciclagem sobre o uso da Crase, não sei quanto a vocês, mas nunca vi uma coisa mais sem sentido, que me desculpem meu querido amigo Pedro Albeirice e meu primo-irmão, Humberto Mendonça Costa, Mestres na matéria.
Nunca tive paciência, compromisso ou acordo com a infelicidade, claro que por diversas vezes me senti a última criatura do mundo, sou perfeitamente normal, mas foram episódios temporários e isolados, contados nos dedos de apenas uma mão.
Hoje senti uma vontade enorme de explicitar meu agradecimento a Papai do Céu, pela esplêndida vida  que desfruto, não é isenta de problemas como muitos pensam,  e me dizem abertamente, contudo basta apenas dois segundos de recolhimento íntimo para perceber que nesta afirmação está contida uma enorme dose de verdade.
 Nasci sob a responsabilidade e a supervisão de dois pais maravilhosos, Seu Hélio e Dona Rosalina,, que nunca pouparam esforços para proporcionarem aos filhos, eu e meu irmão, o melhor ao seu alcance, por muitas vezes, além do alcance.
Deles tive sempre os melhores exemplos, e se não os segui à risca, deve-se apenas ao exercício do meu próprio livre arbítrio, meus defeitos são inerentes as minhas escolhas fora do padrão que me foi sempre exemplificado, já minhas qualificações, sim eu as tenho, custei muito a me perceber de modo real, são fruto do que com eles aprendi.
Meus filhos, todos eles, apesar das inúmeras deficiências do meu caráter vacilante, são seres humanos de qualidade, apreciados pela educação e pelo bom caráter que demonstram, e que me brindam com sua alegria e me enxergam acima de tudo, como amigo, sempre foi este meu objetivo em relação a eles.
Amigos, eis aí outro tópico do qual não posso reclamar, a vida me presenteou com muitos amigos, mas amigos de fato, dos que até te emprestam dinheiro. Quer prova maior de amizade?  Rsrsrs, vício do Face book, rsrsrs. 
Inúmeros colegas, conhecidos e afins, mas  uma vasta gama de amigos verdadeiros, que me foram esteio durante as provas mais acentuadas, pois em sã consciência, nunca tive provas acerbas com as quais lidar.
Uma vida movida a muitas paixões, alguns amores e diversos encontros que enriqueceram meu cotidiano, nesta altura do campeonato, ainda encontro acolhida carinhosa.
Plantei uma árvore, como falei logo no primeiro artigo deste blog, que se tornou meu terapeuta e minha terapia, válvula de escape para uma mente sempre inquieta, descarrego pra tudo de menor que tenta INULTIMENTE  de mim se aproximar.
Tenho filhos maravilhosos, a amizade da mãe deles, mesmo com os nossos eventuais rança rabos, mas estes também fazem parte desta vida maravilhosa que desfruto.
E finalmente, estou em preparativos para seleção de minhas poesias, para delas fazer um livro, portanto estou praticamente completo.
Se tenho arrependimentos, e os tenho de fato, não me paralisaram a trajetória, me ensinaram de forma dura a me reposicionar perante a vida. Estou no caminho, como todos.
Estou iniciando um novo capítulo desta fascinante jornada, mais uma vez abençoado, como  todos, sem exceção sempre o são, por este Pai de Extrema Bondade e Justiça.
Sei que por inúmeras vezes O tenho negligenciado, mas hoje deixo subir até suas mãos Amantíssimas este singelo pleito de gratidão, por esta vida magnífica que desfruto.
Obrigado à todos vocês, que de uma forma ou de outra, fazem parte desta história tão enriquecedora quanto fantástica.
E o bom, é que está só no começo.
Um grande abraço. Que Deus nos proteja a todos.

Ricardo M

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

DE QUEM É A FESTA?


Olá amigos
Desculpem-me a franqueza, mas eu não gosto do Natal, talvez até soe melhor se eu disser que não gosto da transformação ocorrida com o  Natal, o fato é que se eu pudesse sair no dia 20 de dezembro e só voltar no dia 5 de janeiro do outro ano, seria uma dádiva dos céus, de preferência para um lugar ensolarado, tranqüilo, com uma praia de areias bem brancas, pouca gente ao redor e um mar de coloração verde azulada, ah, e se não fosse pedir demais, com águas mornas e ondas amigáveis.
Claro que não conto com os natais da infância, onde ainda estamos fascinados pela presença do Papai Noel, mas mesmo nesta época, eu ficava muito triste quando ouvia uma música que começava assim:  Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel...
Sem saber de uma forma muito clara, instalava-se já na infância, a percepção da desigualdade aparente que permeia as coisas ao nosso redor, mas à frente retornarei para explicar porque usei o termo aparente.
Claro que não sou imune a transformação estética do mobiliário urbano, aos enfeites natalícios, as luzinhas multicoloridas que se fazem presentes em diversos lugares, aos presépios, as cantatas de natal, tudo é muito prazeroso de se ver, as pessoas tornam-se mais sociáveis e até chego a vislumbrar o que de fato um dia chegaremos a alcançar, nossa plenitude como seres fraternos.
Contudo, é uma época onde as diferenças se fazem mais sentidas, um consumismo exacerbado de um lado, e de outro carências do mais básico para uma sobrevivência digna, não quero que isto pareça demagogia barata de fim de ano, é simplesmente a constatação das observações que faço ao longo de muitos anos.
Alguém pode dizer que o Natal tem uma característica de solidariedade, algumas pessoas, não todas, acordam minimamente para as necessidades básicas do seu semelhante, mesmo que eu saiba que já é algo de positivo, me irrita saber que no dia seguinte esta preocupação com o bem estar alheio, vai estar relegada aos cantos, qual os restos das fartas ceias, que primam pelo excesso e conseqüente desperdício.
Aplaca-se a consciência, com uma cesta básica, uma adoção natalina de uma criança carente, uma caixinha de Natal para os prestadores de serviços básicos, e pronto.  Muito júbilo e pouco sentido.  Paz na terra aos homens de boa vontade.
Não quero soar muito ácido não, ainda mais numa época desta, onde tudo parece ser festa, mas vejo famílias que se digladiam por mesquinharias durante um ano inteiro, reunirem-se nesta época para se confraternizarem, sem entender o sentido de ser fraterno com,   pois  este é o sentido da palavra confraternizar.
Outro poderia argumentar que é melhor se ter um dia de paz do que nenhum, eu concordaria com tal afirmação, mas detesto hipocrisia, sentam-se à mesa, comem e, sobretudo bebem de forma excessiva, trocam presentes que serão ridicularizados depois, ou pelo valor do presente ou pela inadequação do  gosto de quem recebeu ao de quem deu, não vou nem falar de amigo oculto, já escutei cada barbaridade que é melhor me calar sobre o assunto.
Acabada a troca de presentes, come-se como se o mundo fosse de fato acabar, bebe-se em quantidades temerárias e ainda tem a balada depois, até isso já inventaram. Carnatal, Natal Fest,  vai vendo aí.
Se perguntar de quem é o suposto aniversário, sim suposto, até a data foi estabelecida pelo poder religioso dominante à época, vejam só a ironia, de acordo a uma festividade pagã, adoro esta palavra, pagã, tudo bem que teria de ser estabelecida uma data ou outra, mas voltando a vaca fria, se perguntarem de quem é o aniversário, é capaz de falarem que é do Papai Noel, aquele senhor de barbas brancas, com aquele vestuário europeu de neve, que entra pela chaminé, caramba me lembrei de um fato, eu ficava apavorado, lá em casa não tinha chaminé, aí adequaram, ele entrava pela janela mesmo, e eu como toda criança ficava tentando manter os olhos abertos para dar um flagra no Papai Noel, vítima de toda excitação, sempre era vencido pelo sono, e pela manhã o milagre já havia acontecido, ao menos em meu lar ele sempre compareceu. Sempre fui filho de Papai Noel, para o meu extremo alívio e tortura de outros tantos, que dele eram órfãos.
Minha aversão,  vejo hoje,  já vem insidiosamente de longa data, hoje percebo bem, mesmo na infância me sentia um pouco culpado por receber até o que não pedia, e meus amigos às vezes nada.
Entendo que nesta época do Natal a espiritualidade maior atue junto aos indivíduos com mais intensidade, na tentativa de  plantar uma semente em nossos corações tão individualizados, nossos sentimentos ficam mais aflorados, nossa sensibilidade fica mais intensificada, eu então que  já choro por nada e qualquer coisa, fico  intolerável.
Talvez, acabei de pensar isto agora, minha implicância com o Natal seja principalmente por ele me fazer perceber o quão pouco faço, sendo tão privilegiado, para minorar todas as carências que nesta época se fazem mais perceptíveis aos meus olhos.
Quem dera que esta visão continuasse aclarada pelo restante do ano, os habitantes das marquises, não estão lá apenas nesta época do ano, nos outros dias, muitos de nós atravessam para o outro lado da rua, na inútil tentativa de torná-los invisíveis, inexistentes.
Tenho sim boas lembranças do Natal, algumas delas espantosas e até bem recentes são inesquecíveis, mas deixa ficar deste jeito,  me lembro  claramente dos natais da minha infância, eram mágicos, ganhar presentes e toda aquela agitação. Quem nesta fase da vida não gostaria? Já adulto, casado, fui o Papai Noel dos meus filhos, tentando proporcionar a eles a magia que é tão necessária nesta fase, e que acabamos por perder depois, ao menos a maior parte de nós.
Agora me digam. Qual foi o seu maior espanto na infância, ou sua  maior decepção. Eu digo os meus.
Meu maior espanto quando criança foi saber como eu tinha chegado ao mundo, nas palavras esclarecedoras e inclementes de um colega mais velho e mais cruel.
Já a minha maior decepção,  foi saber que Papai Noel não existia, foi dose para engolir, quem já passou por isso sabe do que falo, parece que conspiraram para te fazer de bobo, é claro que não se trata disso, os pais tem a melhor das intenções, mas minha ojeriza deve ter começado ali, quando me falaram que Papai Noel, era nada mais nada menos do que o meu próprio pai, até me dói lembrar disto.
O Natal é de suma importância, pois marca o início da maioridade espiritual deste planetinha azul, que nos serve de escola, de hospital e também de cárcere, a história humana passou a ser demarcada pelo advento da presença de Jesus entre seus irmãos mais infantilizados espiritualmente.
Antes de Cristo, e depois de Cristo, este marco divisório faz todo sentido pra mim, pois sua chegada marca o final de um ciclo e o início de outro para toda humanidade terrestre, para me utilizar de um termo mais atual, Jesus veio dar aquele Up Grade na civilização humana, veio para trazer uma revolução nos costumes e na forma de nos relacionarmos com o Criador e principalmente na forma de nos relacionarmos uns com os outros,   de se ver no outro um irmão.
Onde o homem por ignorância havia criado a figura antropomórfica de Deus, dando Lhe uma feição humana, mas uma vez desvirtuando o sentido das palavras, somos sim, criados a imagem e semelhança Dele, não Ele a nossa semelhança, coisas da nossa,  ainda presente, infantilidade espiritual, mas já temos um caminho percorrido.
Onde havia um Deus, raivoso, genioso, vingativo, parcial, ou seja,  muito humano, trouxe-nos a figura de um Pai, assim Jesus O denominava, Pai, e que como um verdadeiro Pai, entendia a limitação momentânea de seus filhos em processo de aprendizado e amadurecimento.
A vinda deste irmão maior, mais experiente, infinitamente mais sábio,  nos deu a oportunidade de uma maior compreensão, de descobrirmos o poder de uma palavrinha curta, em quase todas as línguas, simples, mas de difícil e complexo entendimento,  execução e vivência,  qual seja,a palavra AMOR.
Ao longo deste trajeto da nossa história, após o advento Crístico, a humanidade vem aos tropeços ao longo dos dois últimos milênios, tentando por em prática a simplicidade de seus ensinamentos, e como tudo que é simples e verdadeiro, temos enorme dificuldade em interiorizar. Engatinhamos ainda na prática da caridade, da simplicidade e acima de tudo da fraternidade. Somos irmãos, todos nós, ou quase todos, temos uma noção minimamente básica desta realidade, temos uma só origem e um só destino.
Contudo em uma sala de aula, existem os que se esforçam para aprender a lição, assim como os que não prestam a mínima atenção no professor, ou pior ainda, aqueles que tentam atrapalhar as aulas, assim se processa o nosso aprendizado, uns um pouco à frente e outros mais atrasados, os que vão à frente um dia conscientizam-se dos que estão à retaguarda e aprendem a felicidade de amparar os que necessitam de ajuda.
Por isso falei que as desigualdades são aparentes,  são apenas o resultado prático, visível,  de nosso esforço de aprendizado, somos o resultado de nossas escolhas,  assim como quem não dá a devida importância ao professor repete de ano, fica de dependência ou recuperação, na escola universal  processa-se o mesmo, portanto o que se vê muitas vezes como uma incompreensiva injustiça dos céus, trata-se apenas de um processo de aprendizado, onde cada um colhe o fruto do seu esforço, e é confrontado com o resultado de suas tomadas de decisão, para que este aprendizado possa se processar, de forma contínua e ininterrupta.
Alguns seguem um pouco à frente outros ainda se arrastam pelo caminho, mas a ajuda nunca está muito longe, porém nada vem sem mérito, é necessário o esforço consciente de melhoria do indivíduo.
Gostaria muito que eu pudesse me lembrar no dia 25 de dezembro, da importância real desta data, que hoje se encontra soterrada pela avalanche de consumo em que foi o Natal transformado.
Um stress louco, gente gastando o que não pode,  levada por uma consciência de culpa, como se algo material fosse suprir as carências da alma, ah, esquecendo que logo depois da farra, vem as matrículas do colégio, IPTU, IPVA e tantas outras letrinhas que nosso honrado governo nos impõe, por isso o nome IMPOSTO, aliás, mais certo do que a morte só os impostos.
Que este ensaio anual de solidariedade, que acontece no mês de dezembro,  encontre eco durante o restante do ano, que esta euforia seja transformada em ação produtiva, no sentido de minorar as carências de nossos colegas de turma, que os que estejam um pouco à frente, tornem-se o amparo de quem vem mais atrás. A vida não é uma corrida de São Silvestre, quem chega em primeiro lugar ressente-se da solidão da chegada, e entende finalmente a  necessidade de retomar o caminho e reerguer os que se encontram em dificuldade de caminhar.
Sem demagogias, desta noção de Natal, eu sou partidário, faz mais sentido com a importância da qual se reveste o aniversariante, que de nós apenas requer atenção a aula e respeito, nunca temor, ao professor, lição mais simples de se entender não existe.
Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao seu próximo como a você mesmo.
Não fazer ao outro, o que não quiser que o outro te faça.
Simples não?  No entanto mais de dois milênios se passaram e não conseguimos agir segundo o que nos foi ensinado com tanta simplicidade.
Meu sincero desejo neste Natal, é que possamos ser alunos mais aplicados, mais atentos aos deveres de casa, mais respeitosos com o professor, quem sabe assim agindo, não nos qualifiquemos ao menos para sermos monitores de classe.
Um grande abraço à todos, com meus sinceros votos de um Feliz Natal
Feliz aniversário para você, irmão maior.
Que Deus nosso pai de infinita bondade, nos ampare a todos hoje e sempre.

Ricardo M


segunda-feira, 26 de novembro de 2012


                                                      ENCONTRO MARCADO

Durante o meu sono, você vem falar comigo
Procura entre os meus braços seu antigo abrigo
Encostando sua cabeça bem de encontro ao meu peito
Confesso que, à principio, eu até fico sem jeito
Mas logo até parece que você jamais um dia me deixou
Lembro a insegurança e a incerteza do começo
Recordo sorrindo nosso primeiro tropeço
A impressão na minha boca que do seu beijo ficou
Mas logo depois em seguida,  tudo se transformou
Revejo os nossos primeiros gestos de ternura
E sinto o subir da temperatura, nos momentos de desejo.
Entrelaço meus dedos suavemente em seus cabelos tão sedosos
Meus olhos buscam os seus, e os encontram lacrimosos
Dizendo-me já estar na hora da partida
E assim mais uma vez você invade a minha vida
Reabrindo a ferida encurada, que sangra novamente insidiosa 
Fala docemente de uma dor de saudade que nada no mundo conforta
Mas vai andando, passo a passo,  hesitante,  em direção a porta, acenando em despedida
Deixa-me ali parado, sem conseguir entender a razão deste encontro inesperado
Abro meus olhos lentamente, e você já não está mais ao meu lado
Não sei se era de fato um sonho, ou se eu só estava a sonhar acordado
Não será mais nesta vida, nós bem sabemos.
Mas a verdade é que já  temos, o nosso encontro marcado
Você também sabe disso, somente adiamos o compromisso
Mas o que está nas estrelas escrito, jamais poderá ser por nós  apagado
Durante o dia você me evita, mas basta a noite chegar, e eu cair no sono
Pra receber sua visita e acabar o abandono
Vem toda meiga sorrindo, de um jeito dissimulado
Com a mesma cara lambida, e ar de cachorro sem dono
Diz pra eu esquecer  a nossa briga, que sou o homem da sua vida, o seu maior namorado
E me chama de um jeito só seu, mas isto eu não ouso dizer, pois seria indelicado
Melhor  é  eu esquecer de tudo e deixar isto de lado
Não ia quebrar a rima, mas certamente iria ficar muito complicado.

L Ricardo Mendonça


Guardei esta por um longo tempo, cheguei a pensar que a havia perdido e hoje remexendo papéis antigos tornei a reencontrá-la, meu primeiro IMPULSO foi rasgá-la, mas pensando bem, é tão bonitinha e singela na sua despretensão que revi minha decisão e resolvi publicá-la.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ESTE CARA SOU EU. A QUEM INTERESSAR POSSA


Olá amigos.
E a quem interessar possa.

Pois é, as Redes Sociais vieram promover uma revolução na forma de interação humana, claro que nem todos estão na Rede, ou possuem perfil no Face Book, para ficar no principal, muitos nem sabem o que é um endereço digital, o popular Email.
Fiz este preâmbulo para dar uma respirada,  acalmar e ordenar o pensamento, entendemos a realidade através das palavras, estas tentam dar forma as coisas, e aí começa o problema, o ruído de comunicação, nem sempre o que tento exprimir através das palavras, que são um pálido reflexo das IDÉIAS que as geraram, são compreendidas conforme o pensamento original, uma hora por falta de habilidade de quem as exprime, e em outras pela total incompetência do ouvinte em entendê-las fidedignamente.
Um amigo um dia me deu um sábio conselho,  Gilberto Teixeira Silva, é o seu nome, conselho que como sempre fazemos não foi seguido e veio a dar no que deu,  me falou com muita propriedade que, as mensagens, emails, torpedos e similares só devem ser enviados em um relacionamento quando tudo está bem, quando não está legal, serão entendidas com uma entonação contaminada pelo processo de desgaste.
É verdade, vou usar um exemplo,  uma simples frase como: Vem aqui agora. Se for ouvida como eu tentei expressar, seria ouvida como um carinho, um pedido de preenchimento de ausência, mas pode soar como uma ordem aos ouvidos alheios, e ser de imediato repelida e respondida mal criadamente, e aí a briga começa...
Eu estou fazendo rodeios para entrar no que me incomoda, mas vamos lá, tenho perfil no Face Book  há algum tempo, meu perfil é totalmente aberto pra quem quiser se esmiuçar, pois basicamente é nisso que isto tudo consiste, uma enorme rede de bisbilhotagem, falo isso sem nenhuma crítica, pois eu mesmo me tornei um aficionado desta  ferramenta de convívio social.
Pena que o nome Windows já estava registrado, seria muito mais apropriado a meu ver, JANELAS, vemos a vida dos outros através destas janelas que nos são livremente abertas e vamos abrindo as nossas próprias, para que eles  também possam também dar uma espiadinha.
Por isso não faço a mínima restrição de acesso ao meu perfil, e qualquer um que pedir para ser adicionado, seja quem for, será imediatamente aceito, sei que isto contraria algumas regras de segurança e facilita a vida de gente mal intencionada, mas é uma escolha consciente, o que eu publico, é de domínio público e pronto.
Adoro ver a reação das pessoas a determinadas brincadeiras, se coloco algo totalmente inconsequente,  uma piada, ou uma gracinha qualquer, uma foto irreverente, é uma enxurrada de comentários, se publico alguma coisa que acho ser interessante, que vá acrescentar algo para as pessoas, às vezes fico frustrado com a reação ou mesmo a total ausência  dela, pois muitas vezes passa em branco.
A necessidade de sermos ouvidos ou notados e tão flagrante, que chega a ser comovente em certos casos.
A fiscalização à distância dos casais, tem gente que para evitar problema, torna-se um só no perfil, abre-se mão até da própria individualidade em certos casos, em outros raros, sabemos que o que levou a ser feito desta forma foi um amor verdadeiro, é,  isto existe, podem ter certeza.
Namoro para resistir ao Face e similares, tem de ter uma blindagem enorme, o meu primeiro artigo do meu blog me gerou o primeiro problema, uma amiga fez um comentário elogioso e rendeu problema, expliquei que era um espaço público e que se eu não quisesse receber comentários guardaria meus pensamentos para mim mesmo, a finalidade como percebi depois era justamente o contrário, era para ser sobretudo uma ferramenta de diálogo aberto, a exposição da minha visão de mundo e o contra ponto da visão de quem me dá a honra de perder seu tempo lendo meus pensamentos imperfeitos, meus IMPULSOS.
No começo, me iludi dizendo que era apenas uma forma de terapia, o que de fato é, mas  que não me importaria se ninguém olhasse o que havia escrito, besteira, todo mundo precisa do olhar do outro para ser definido, não dizendo com isto que a opinião alheia é o que vai me moldar, só gente muito sem perspectiva age desta forma, infelizmente são muitos que assim procedem,  uma enorme parte ainda vive para dar satisfação ao que o outro pensa, não é disto que falo. E acima de tudo não é de forma alguma o que estou fazendo neste texto, não sou de dar satisfação aos outros, mas resolvi matar a curiosidade de muitos, quanto a quem de fato sou e como de fato penso.
Vejo as mensagens subliminares que são enviadas, declarações nítidas de carência, auto-indulgência, insegurança e toda gama de fraquezas humanas tão comuns ao nosso cotidiano, inveja, ciúme, posse, orgulho, raiva, ódio, mas também afeto, amizade, carinho, amor, caridade, bondade enfim, toda vasta gama de sentimentos que nos move.
Morro de rir quando vejo um amigo que está morto pelo término de relação postar uma foto cercado de meninas em uma destas baladas da vida, com o sorriso mais falso de felicidade do mundo, pois ele sabe, da mesma forma que ele próprio faz, que ela vai entrar no seu perfil e morrer de raiva. Vou abrir aqui um parênteses, não olho nem por reza brava perfil de ex mulher, ex namorada, ex amiga, ex amante o escambau, apesar de ser tão humano ou mais ainda que a grande maior parte, ajo nestes casos como ajo em relação as drogas, sei que não vai me trazer nada de bom, assim apesar de ser extremamente tentador  passo bem, mas bem longe mesmo. O nome disto pra mim é curiosidade mórbida.
Não preciso de mais dores do que as que já me foram causadas, ou das quais eu tenha sido a própria causa, no meu entender, TODAS são minha responsabilidade,  não tenho viés masoquista, e apesar de ter enorme curiosidade pela vida, me abstenho a duras penas de eu próprio me causar ou procurar desgostos, chega os que já me atingem sem que eu possa evitá-los, portanto meninas fiquem tranquilas  desejo plena felicidade mas sem a mínima curiosidade, não é mais da minha conta.
Vejo as enormes discussões de ponto de vista, como formas saudáveis de interação, mas vejo também como as pessoas estão muito bem preparadas para falar e indisponíveis para ouvir, leio tudo que percebo ser positivo e sempre deixo um comentário que julgo ser pertinente, aos amigos, digo àqueles de fato amigos, deixo sempre um comentário impertinente, que o diga meu querido amigo Milton Nogueira, o popular Coelhão ou Gato do Mato,  mas nestes casos é o enorme amor que por eles sinto, travestido em molecagem, este sou eu.
O que me levou a tudo isto, foi constatar mais uma vez como as pessoas preocupam-se comigo, leiam com entonação de ironia, é esta a ideia, claro que tenho inúmeras pessoas, graças a Deus,  que se preocupam comigo de forma verdadeira, e o seu amparo muitas vezes foi o único sustentáculo na queda, o sustentáculo Divino é incontestável, mas estou aqui falando de relações humanas, das quais o Face Book hoje a meu ver é o exemplo mais significativo da sua superficialidade e fragilidade.
Vamos abolir as alianças, a maior prova de amor que alguém faz hoje, é colocar:  Está em relacionamento SÉRIO com fulana ou fulano no perfil.
Uma alteração de status no final das contas é o que me levou a escrever isto tudo, a falta do que fazer de determinadas pessoas que pensam que a vida cabe dentro de uma página de um site de relacionamento, se bem que para algumas delas é a única forma de relacionamento e de vida  que  possuem, lamentavelmente,  ( notem bem a carga de desprezo que esta afirmação comporta ), não falo das pessoas que passam pela prova da solidão, sou a elas solidário, pois como quase todos, já passei por episódios de estranhamento com a vida, e para meu total espanto, apesar de visivelmente ser uma pessoa de convívio social extremado, a cada dia me vejo mais submerso no meu universo íntimo.
Fui abordado por um amigo acompanhado de uma menina muito bonita, jovem, como este amigo, com a seguinte pérola. Fiquei sabendo que você mudou de STATUS no face, e está amiga ta muito afim de te conhecer. Se tem uma qualidade d alma que prezo é ter educação com todos que de mim se aproximem, mas devo confessar que nunca antes em todos os meus já bastantes anos de vida me deu tanta vontade de ter a falta de educação que vejo em certas pessoas e que as vezes até invejo, pela capacidade que tem de falar o que eu não consigo.
Conhecer pessoas novas é uma enorme satisfação para uma alma tão gregária quanto a minha, sem modéstia alguma sei ser uma pessoa muito agradável e inteligente em lidar com meus semelhantes e, sobretudo com meus amigos, mas a frase de abordagem teve um que de incredulidade, que conseguiu até me causar uma certa paralisia emocional.
Dentro do contexto, fiz o que a educação requer, mas parecia que eu havia tido um desdobramento, minha boca expressava-se por si mesmo, enquanto o meu cérebro já começava a pensar em tudo isto que estou a expelir, não tem outra palavra para ser usada.
Já publiquei notas ácidas, revestidas de raiva incomum, tento sempre postar coisas que levem algo de positivo para os outros ou que no mínimo pela sua irreverência calculada provoque risos e tumulto. Como exemplo sito uma publicação que adoro: Sou um homem que toda mulher disputa. Diz puta que pariu, que homem mais feio.  Algumas amigas, e também amigos, postaram comentários no mesmo tom de irreverência, mas tem gente que achou que eu estava fazendo autopromoção...  Cada um julga conforme as suas próprias medidas, é tudo o que tenho à dizer.
Já abri anteriormente aqui meu coração, sou simplesmente humano como todos, quando tenho algo de mais interno uso as páginas do meu blog, apesar de compartilhar normalmente a página no Face, publico minhas poesias, meus textos, deixo comentários, mas sempre sofri com uma curiosidade além do normal, sobre o que faço, mas principalmente sobre o que dizem que eu faço, normalmente entra em ouvido e sai pelo outro, normalmente, mas normalidade tem limite assim como a minha insipiente paciência, portanto, vou fazer uma coisa que já deveria ter feito a muito tempo.

                              PERFIL IMPULSO   ( Quem sabe isto não rende uma rede social )

Luiz Ricardo Mendonça Silva
03 04 1960  52 anos Nascido em Volta Redonda, Separado Judicialmente,  Cirurgião Dentista
Não, eu não penso que sou um jovem, sou jovial, mas percebo e sobre tudo sinto todos os anos já experienciados,  sou heterossexual e defendo a liberdade de escolha de cada um, do direito  da pessoa exercer a sua opção sem ser rotulada, quando disse que sou hétero, foi acima de tudo para significar que gosto de MULHER, não, não me importa a idade que tenham, desde que isto esteja dentro dos limites da adequação necessária, não me relaciono somente com mulheres mais jovens, tem sido contingência dos fatos, não uma escolha pré definida, procuro por valores, não por faixa etária, sim sinto orgulho que ainda possa ter algo que uma pessoa mais nova possa julgar ser interessante, meu ego funciona normalmente, sem que estes relacionamentos sejam vistos como troféus a serem expostos, sim, todas sabem nos mínimos detalhes quem fui, quem de fato sou e no que quero me transformar, mas acima de tudo são bem informadas quanto ao que pensam que eu sou, não, não tenho dinheiro, trabalho e luto com muita dificuldade para arcar com as minhas obrigações, se souberem de um emprego que tenha um salário digno, me avisem,pois estou precisando, não não sou convencido, não confundam a personagem com o ser real, e mesmo a personagem e freqüentemente desmentida pelo próprio autor,  consigo rir muito de mim mesmo, não sou e nem nunca fui meu tipo de homem, mas agradeço honestamente quando de mim discordam, sim até tenho me achado ultimamente uma pessoa charmosa, mas isto é bem recente, não,  não é fruto dos últimos relacionamentos, questão de auto percepção, também aceito as opiniões em contrário, mas peço que não a façam na minha frente para não abalar esta mais nova percepção de mim mesmo rsrsrrs, não, não sou vaidoso na acepção da palavra, tomo banho, tento me trajar de forma adequada aos lugares que hoje frequento, ah e passo perfume,  sou uma assombração que sabe para quem parece, com isto querendo dizer que não me atiro em cima de ninguém, não tomo liberdade com quem não me concede, sim sou galanteador no melhor sentido da palavra, adoro elogiar, nunca falto com o respeito devido, não, não sou nenhum conquistador barato, pois intimamente sou uma pessoa tímida, podem rir a vontade, sou uma pessoa tímida, não tiro ninguém para dançar que eu já não conheça ou que não tenha sido apresentado, mas danço com qualquer uma que me solicitar, jovem, madura, de vez, negra, branca, cor de rosa, verde, sim gosto muito de cantar e acho que até canto bem sim, mas não sou artista, sou cantador, faço minhas poesias tortas, algumas que gosto muito, outras nem tanto, ah, se forem tristes não quer dizer que eu assim esteja, o contrário também é válido, sou espírita, apesar de ser um espírito de porco, faço palestras espíritas em diversos centros de nossa cidade sem com isto ter os méritos necessários que deveria ter para exercer tal função, o que me move é a boa vontade e a necessidade de produzir positividade, sem em nenhum momento deixar bem claro à todos das minhas inúmeras fragilidades e deficiências morais, estou em aprendizado, portanto, não tomem minha religião por quem sou, sim, estou sem um RELACIONAMENTO SÉRIO no face e na minha vida, mas não estou disponível, sim sou plenamente capaz de encontrar companhia adequada, muito mais capaz do que a maior parte das pessoas que conheço e do que realmente seria necessário, diga-se de passagem, não, não estou sendo convencido, estou apenas esclarecendo fatos, sim me julgo uma pessoa muitíssimo interessante abaixo da superfície onde tentam me situar, sou muito mais intenso, sim sou uma ótima companhia, um ótimo amigo e ouvinte de quem  necessita de quem escute, sim, sim, sim e dezenas de sim eu falo demais e adoro que as pessoas me escutem, adoro sobretudo fazê-las rir, sim tenho uma alma palhaça, mas só a alma, não, não sou apaixonado pela Bárbara ( Desculpe-me meu amor, mas a questão ficou recorrente ) ela é uma amiga a quem muito respeito, apenas isto, não, não estou infeliz, ninguém é responsável pela minha felicidade, aprendi isto a custo de muito choro, mas vejo que valeu a pena o aprendizado, sim, tenho enorme carinho e respeito por quem cruzou a minha vida, sim, tenho inúmeras lembranças e nenhuma saudade, o melhor está à frente, estou no aguardo do que está por vir, sim eu sou humano, sangro e sinto dor, principalmente quando me julgam sem terem a mínima noção de quem sou, sim são todos bem vindos até que não se façam, se é que me entendem, se não entenderem eu faço um desenho. Como diz o meu amigo Roberto Carlos... Este cara sou eu.

Bem, mais explícito do que isto acho impossível, mas se deixei algum tópico de fora tenham a nobreza de me perguntar antes de proferirem suas verdades, tentem me conhecer, tenho a imodesta certeza que vão gostar de mim, tudo bem, alguns não vão não, mas faz parte.
Acima de tudo meus amigos, tentem publicar coisas que acrescentem, que sejam positivas, que minorem as nossas dores e as dores alheias que em tudo são semelhantes as nossas.
Peço sinceras desculpas, mas ou fazia isto ou na próxima apresentação eu ia explodir, ah, para todos os efeitos estou em um relacionamento seriíssimo comigo mesmo, quando terminar eu aviso, podem deixar vocês vão ser os primeiros a saber que eu não me aguentei.
Para finalizar, tomem conta das suas vidas ( leiam isto com entonação branda ), a minha é interessantíssima, mas é a minha, deixem-me vivê-la em paz, para atrapalhar, fiquem certos, eu mesmo me basto, tenho feito um ótimo trabalho, fiquem tranquilos, ninguém faria melhor.

Ricardo M

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

CICATRIZES FLORES E LIBERDADE


Olá amigos

Pela primeira vez desde que comecei a aventura de publicar estes pensamentos imperfeitos, não sei de fato por onde começar,  tenho tanta coisa me rodeando os labirintos cerebrais, que ou sai algo surpreendente até para mim mesmo, ou nada que  faça  o menor sentido, portanto vamos lá ver no que isto vai dar.
Há algumas semanas atrás estive em Penedo, colônia finlandesa no sul fluminense, lugar bucólico de uma magia única, um daqueles lugares que nos faz sentir fora do mundo, por isso gosto tanto de lá, sempre me proporciona uma fuga do cotidiano.
Estava sentado em uma mesa com uma...  Amiga,  deve ser esta a nominação para ser usada agora, quando de nossa mesa aproximou-se uma senhora vestida de uma forma, diria pitoresca, dizendo-se  poetisa, que através da venda de seus textos ajudava pessoas carentes.
Vendia cada um de seus textos pela quantia de um real, isto mesmo um real, apesar de internamente já estar caindo na armadilha do pré julgamento  é difícil não ser solidário por um real, portanto comprei dois textos da referida poetisa, a quem quando perguntei o seu nome referiu-se a si própria, como  ¨A dona que ajudava os pobres¨, pois como me disse,  o seu nome não era importante, devo confessar que a afirmação me gerou um enorme desconforto e me pré dispôs contra ela,  pois como diz Emmanuel:  A humildade é uma virtude tão volátil, que quando pensamos tê-la, já a perdemos.
Deixando de lado meus julgamentos, oriundos da minha própria inferioridade espiritual, ela seguiu seu caminho e eu então me dispus a conceder a dádiva do meu tempo e da minha atenção para a leitura dos textos que havia dela comprado, contaminado pela empáfia que lamentavelmente algumas vezes ainda me atinge, julgando que iria encontrar baboseiras sem sentido.
Deus sempre escreve certo por linhas mais certas ainda, não eram poesias, na acepção do termo, mas eram textos curtos de uma beleza poética, de uma lógica irrefutável e de uma inteligência, que me atingiram fundo a sensibilidade, me trazendo lágrimas aos olhos, uma grande parte delas por extrema vergonha em relação aos julgamentos pré concebidos que tanto luto por não fazer, e que por avaliar apenas o exterior, havia acabado de mais uma vez a eles sucumbir, diga-se de passagem, que ela havia nos falado ser engenheira nuclear, e que havia abandonado tudo para ajudar aos pobres. Eu levei aquilo em conta da soberba.
Vou tentar mudar o assunto para mais à frente nele retornar juntando as pontas, tomara que possa fazer sentido.
Liberdade, eu quero te conhecer. Uma frase curta, afirmativa, escrita como epitáfio para o fim de um relacionamento. Esta pequena frase me deu muito no que pensar.
O que é ser livre?  Muita gente com melhores qualificações intelectuais do que eu, já se debruçou sobre esta questão.
O conceito de liberdade, assim como outros, tais como o de felicidade, é enormemente subjetivo. O que é ser livre para você? É não ter de prestar conta de seus atos? Não ter de dar satisfação a ninguém? Como se isto fosse possível. Não depender de ninguém? Outra impossibilidade. Poder entrar e sair a hora que bem te aprouver? Torno a questionar. O que é ser livre?
É claro que entendo a afirmação pelo o que ela tem de mais simples, poder experimentar coisas que nos foram vedadas é certamente uma forma de liberdade, principalmente para quem foi tolhido, mas estes conceitos são ilusórios.
Quem pensa que liberdade é fazer o que quer, como se isto fosse viável, confunde liberdade com egocentrismo, já me senti diversas vezes prisioneiro de mim mesmo e dos meus próprios sentimentos, como já me senti plenamente liberto ao lado de outra pessoa.
Liberdade, assim como esta tão propalada felicidade, são estados da alma, conceitos concretos que vivenciamos de forma abstrata, estão diretamente relacionados à escala de valores individuais, tem o tamanho do universo íntimo que cada um trás em si mesmo.
O que eu não conheço, para mim não existe, portanto o mundo tem para cada um a dimensão do seu conhecimento. Neste contexto sempre falei que temos de estar com nossas mentes abertas para viver o novo, tento viver a minha vida com isenção de intenções, como confessei linhas acima, às vezes falho vergonhosamente no intento, mas sei que isto também faz parte do meu processo de crescimento, enquanto espírito em processo contínuo de aprendizagem.
Assim como aprendemos a andar em passos vacilantes, aquele bamboleio que tanto nos fascina nas crianças e que mata os pais de preocupação pela contingência dos tombos, vamos aprendendo a caminhar através dos tropeços da jornada, caímos esfolando o corpo físico, erramos dilacerando os tecidos finos da alma.
Pronto aqui faço a junção das idéias que tanto tem me perturbado durante estes dias, um dos textos da minha amiga dos pobres, leiam isto sem ironia, é assim que ela quer ser chamada, e tem todo o direito de ser, por mais inadequado que eu possa querer julgar a denominação, ela ganhou o meu respeito pela profundidade dos conceitos, que com enorme simplicidade expôs.
Retornando, um de seus textos falava sobre feridas, um tema muito querido aos meus textos, sempre falo sobre cicatrizes, mas ainda não havia entendido a sua utilidade plenamente.
Sinceramente não pensei premeditadamente em fazer o que vou fazer agora, mas como um tributo de reconhecimento, e mais do que tudo, como um pedido sincero de desculpas pela avaliação preconceituosa que dela fiz,  vou aqui reproduzir literalmente um de seus textos, do outro farei citações, sempre com os devidos créditos. Prestem atenção.

                                                                 FERIDAS

¨ O amor e a sabedoria universal fazem par constante. Quando o primeiro é surpreendido com um fracasso, o outro estende seus braços para sustentar o desconhecido, a queda.
Por mais que possamos sentir o punhal cravado em nosso peito, também devemos saber que o sangue que escorre pela nossa alma, será o biombo do recomeço. Observemos uma ferida.
A casquinha externa é feia, reproduz o horror da lembrança da dor, no entanto, abaixo daquela casca, às vezes horrenda, a natureza tece magicamente o milagre da reconstrução.
São fios valiosos entregues a mãos preciosas. Talvez o horror daquela casca durante este trabalho, seja um sinal de aviso para nos afastarmos cada vez mais, deste tipo de armadilha.
 É como se houvesse um letreiro avisando do perigo. Um dia a obra estará acabada, e a casca feia cairá por si só, mostrando a você a nova obra pronta.
Se por acaso restar uma cicatriz, não se aflija. Deus decidiu colocar-lhe sempre em estado de vigília. Para que isto não lhe aconteça nunca mais. ¨

                                                      A amiga dos pobres

Sinceramente não sei se fico mais emocionado ou envergonhado, mas espero ter me redimido da minha falta de caridade para com ela, tomara que isto tenha se tornado uma cicatriz, eu agora entendo a  finalidade delas.
Olhamos nossas cicatrizes normalmente com horror, tenho algumas até interessantes, que já deram motivo para muita história e conseqüentemente para muita mentira também,  no meu  queixo a lembrança de um tombo de moto, na clavícula outra resultante de uma queda por um golpe de judô, na cabeça outra oriunda de uma pedrada, e diversas minúsculas que o tempo apagou da memória a origem, portanto insignificantes.
As cicatrizes corpóreas já nos acarretam pesadelos,  em virtude da lembrança dos traumas nos quais elas se originaram, agora o que dizer das que permanecem ocultas a visão alheia,  mas que são claras aos nossos olhos espirituais e insistem com enorme freqüência em se fazerem visíveis, vou mais além, insistem com enorme freqüência em reabrirem-se, voltando a causar dores indescritíveis pela revisitação dos fatos dos quais elas são as sequelas.
Sei que depois disto, o que eu normalmente repudiava e escondia de mim mesmo, tornou-se mais fácil de entender e de aceitar, não chego ao ponto de me orgulhar delas, mas também não as repudio mais, agora são para mim os avisos de Deus, nos quais passarei a dar mais atenção.
Mas nem só de cicatrizes vive este texto, também existem as flores.
Existem flores que  não  são para serem colhidas, mas diante da sua suavidade e de sua beleza o instinto de posse, ou melhor dizendo, nosso ego prevalece. Eu quero, eu consigo.
Segundo a minha amiga: ¨Muitas vezes é melhor vê-la sempre sorrindo lá no jardim, do que arrancá-la pelo simples fato de querê-la só para si.  ( Que beleza de conceito )
Ainda segundo suas sábias palavras:  ¨ O encontro do nosso eu, com a nossa essência mais pura, é como um fenômeno da natureza que se dá poucas vezes dentro da nossa existência, é preciso que nossa sintonia seja marcada pelo UNÍSSONO ( grifo meu ) dos nossos corações, porque senão, não há razão para ir ao jardim colher a rosa. ¨
É, acho que agora o meu intento foi logrado, no meio deste samba do sambista doido as coisas, ao menos para mim parecem ter se encaixado.
Algumas das minhas mais recentes e doloridas cicatrizes foram causadas por colher flores que eu deveria apenas ter deixado vicejando no jardim, contudo como realmente saber se aquela não é a flor a ser colhida? Como diz a propaganda do Canal Futura, não são as respostas que movem o mundo, e sim as perguntas.
Aprender a contemplar à distância as flores nunca foi um traço de caráter que eu pudesse orgulhar de possuir, me consolo dizendo que são poucos que possuem a sabedoria da contemplação em detrimento da colheita gananciosa, orientada apenas pelo falso sentido da posse.
Acaba que no final a flor se despetala e sobra,  apenas a haste com os espinhos para serem mostrados, depois ainda reclamamos das mãos feridas.
Vá conhecer a sua liberdade, vá sim, sem medo ou angústias, antes que a flor feneça, mas fica um aviso, a ilusão da liberdade é um dos tóxicos mais poderosos que eu próprio conheço, causador de traumas e de cicatrizes de difícil reparação, pela falta de compreensão do que seja LIBERDADE.
Pela ausência deste entendimento, nos tornamos intolerantes para com a liberdade dos outros, nos isolamos através da construção de muros de proteção que longe de cumprir esta função, acabam por nos segregar entrando em confronto direto com aquele outro conceito, o da tal felicidade, mas aí  eu vou precisar de procurar auxilio com a minha amiga dos pobres, com quem hoje compartilho a autoria intelectual do texto, se é que ele tem alguma intelectualidade, mas aí já é falsa modéstia, o que também é outro nome para o orgulho, danado de aprendizado difícil!
Fiquem com Deus, que o Divino Semeador, possa orientar nossa colheita e sempre nos lembrar que o limite da nossa liberdade,  sempre termina onde começa a do próximo, mas vai reconhecer estes limites.
Um grande abraço à todos

Ricardo M


Tenho uma poesia antiga que relutei antes em publicar, pois as vezes o contexto é impróprio, ou pode ser mal compreendido, mas francamente, entendam da forma que quiserem, pois é assim que sempre o fazem. Ela foi inspirada em uma música do Willie Nelson, um cantor country americano, que tem por título: To all the girls I ve loved before. Á Todas garotas que amei.


                                                              ESTRADA

Aprendi a não chorar por alguém que não me quer.
Deixo ao destino a escolha do caminho que vier.
Vou levando a minha vida sem qualquer preocupação.
Descobri que a viagem é bela, mas de curta duração.
Vou seguindo a caminhada sem saber onde vai dar.
Mas isto também não me importa, vou por estas vias tortas, sem ter hora pra chegar.
Conto os passos ao caminhar, sem ter rumo ou direção.
Chego a perder a noção do quanto que eu já andei,
Por tantas coisas passei, que chego até duvidar.
Senti o amargor e o desgosto do pranto a molhar meu rosto.
De viver em abandono, feito cachorro sem dono.
Sem eira nem beira ou lugar, que eu pudesse descansar.
O meu corpo dolorido e a alma em exaustão.
Mas foi curta a solidão, pois sempre tive coração que quisesse me abrigar.
Durante esta caminhada, foram muitos os amores.
Se tive alguns dissabores, a ninguém posso culpar.
Seguiram outros rumos na estrada, de alguns não ficou quase nada.
De outros... Me recuso a lembrar.
Mas de todos restou um traço, que nem o tempo e o espaço, vai conseguir apagar.
Que possam ser muito felizes, somos todos aprendizes.
Com muita estrada à rodar.
A todas o meu afeto, cada um com seu trajeto, o destino é um só lugar.
E como é uma só a estrada, às vezes em meio a jornada, a gente volta a se esbarrar.
Fiquem todas vocês com Deus, deixo aqui o meu adeus ou quem sabe um até lá.

Ricardo M


Que Deus te oriente em sua busca. Felicidades. .